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Opinião – Usando os pobres

”Uma prova de que a universidade pública não é dos trabalhadores nem do povo é que 80% dos professores da educação básica  são formados em faculdades particulares”

“Por uma universidade em defesa dos trabalhadores e do povo pobre”, estampava a faixa segurada por uma mocinha bem vestida, pele macia, cabelos sedosos e pequeno pircieng no nariz, durante manifestação contra o corte de verbas não obrigatórias para universidades públicas brasileiras.

Em 1919, Lênin, o chefe da revolução comunista da Rússia, escreveu a brochura “Como iludir o povo”, na qual desencava falsas palavras de ordem.
Nada mais falso do que a palavra de ordem na faixa da estudante de classe média alta. O povo foi alijado do ensino público superior.

Pobre e trabalhador estudam na escola pública fundamental de péssima qualidade e não conseguem acesso ao ensino público superior, reservado ao vestibular dos que estudam nas escolas privadas caras e frequentam cursinhos pré-vestibular que custam os olhos da cara.
Para conseguirem uma graduação, os pobres e trabalhadores deixam de comer para pagar faculdade particular, porque a pública, mesmo que eles consigam passar no vestibular, tem uma grade horária diurna que inviabiliza a frequência de quem labuta para ganhar a vida.

Uma prova de que a universidade pública não é dos trabalhadores nem do povo é que 80% dos professores da educação básica  são formados em faculdades particulares.
Pobre continua pagando escola para ricos. Os falsos slogans não  nos enganam mais.

 

 

 

 

Por Miguel Lucena, Delegado de Polícia Civil do DF, jornalista e escritor.

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