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Opinião – O Almirante de Minas e Energia

”Recentemente ele fez apresentações técnicas em Washington e em Viena,  sobre os principais aspectos do programa brasileiro das instalações militares em ARAMAR”

Em roda de conversa com amigos diplomatas, neste último final de semana, abundaram referências e comentários  positivos sobre o Almirante  Bento de Albuquerque, que acaba de ser indicado para comandar o Ministério de Minas e Energia a partir de 1º de janeiro.

Em resumo, o que ouvi foi o seguinte:

– A previsível reação pouco simpática de alguns grupos e setores à indicação explica-se por se tratar de mais um militar a compor o primeiro escalão do governo Bolsonaro e, mais especificamente, pelo fato de não ser especialista do setor energético. O pano de fundo para a opção seria a inegável falência de importante parcela da classe política brasileira, manifestada numa dinâmica viciada envolvendo interesses corporativos arraigados alimentando práticas cartelizadas e, no limite, conluios criminosos para expropriar o Erário e as esperanças populares.

– Nesse contexto, a indicação do Almirante Bento representaria uma aposta no profissionalismo e na visão estratégica de um funcionário de Estado. Ex-assessor parlamentar da Marinha no Congresso, está apto a estabelecer uma agenda de diálogo com os mais diversos agentes e setores, sem se deixar pautar por interesses paroquiais.

– É importante entender que a Marinha, com Bento na função chave de executor da agenda nuclear, é o motor impulsor da retomada em curso do programa nuclear brasileiro, visível no lançamento de uma nova política para o setor, cujos carros chefe são o projeto do Reator Multipropósito Brasileiro (decisivo para ampliar a produção de radiofármacos no país), a retomada de Angra 3 e, é claro, a aceleração do projeto de submarino de propulsão nuclear.

– Em última análise, o desafio é simples: saber se o Brasil será capaz de tornar comercialmente viável a produção de combustível nuclear, valendo-se da tecnologia de enriquecimento autônoma que desenvolveu ao custo de muitos bilhões e da ampla oferta de urânio disponível no subsolo brasileiro. A resposta determinará se o Brasil será capaz de consolidar uma indústria nuclear econômica e tecnologicamente competitiva em escala mundial.

– Enquanto gestor do programa de propulsão naval, o Almirante Bento tem enfrentado com galhardia o desafio de implementar o acordo de cooperação tecnológico com a França em condições de recursos orçamentários minguantes e de questionamentos na esteira das denúncias envolvendo o antigo gestor do projeto e ex-presidente da Eletronuclear.

Meus interlocutores asseguraram que o Almirante Bento de Albuquerque fez da transparência o eixo central de sua atuação.  Recentemente ele fez apresentações técnicas em Washington e em Viena,  sobre os principais aspectos do programa brasileiro, inclusive convidando interlocutores de todas as partes para conhecerem pessoalmente as instalações militares em ARAMAR.

 

 

 

 

Por Pedro Luiz Rodrigues é diplomata e jornalista.

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