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Opinião – Novo jogo eleitoral

”Estamos diante de um quadro que foge aos padrões já conhecidos, e quem entrar nesta partida achando que nada mudou, tende a ficar pelo caminho”

A chegada do popular ministro relator do mensalão na corrida eleitoral teve um enorme impacto no quadro que se desenhava até agora. Significa que, mesmo não vencendo, Joaquim Barbosa pode alterar a dinâmica do pleito, influenciando nos destinos da eleição. É mais um nome que pode desequilibrar o jogo.

Fica claro, pelo que temos visto até o momento, que existe enorme descrédito entre os políticos tradicionais, e a entrada de mais um outsider na lista de presidenciáveis evidencia a busca por um salvador da pátria, o que raramente é bom em uma democracia. Dentre aqueles com as maiores intenções de voto, poucos são os que realmente entendem o jogo político e seriam capazes de implementar mudanças.

Em tempos de Lava Jato e pouca popularidade do establishment político, a profusão de outsiders tem sido intensa. Nas últimas semanas, pelo menos cinco novos nomes se apresentaram na tentativa de tornar-se o preferido do eleitor em outubro, entretanto, até aqui, poucos empolgaram.

As intenções de voto recebidas por Barbosa refletem esta realidade. Não há ali corte ideológico ou programático. Sua popularidade está escorada no trabalho que realizou como relator do caso mensalão, que começou a desenredar os esquemas de desvio de dinheiro público que nasceram sob os auspícios do petismo. O candidato socialista não agrega nada além disso até o momento.

Muitos entendem que a profusão de candidatos irá se perder quando iniciar a propaganda eleitoral no rádio e na televisão. Ali, a tendência seria a consolidação de candidatos de partidos estruturados com tempo de sobra para mostrar seus programas, realizações e promessas. Não estejam tão certos disso. Em tempos de Lava Jato e redes sociais, a informação trafega com enorme velocidade, e as candidaturas dependem menos da propaganda tradicional do que no passado.

Quero dizer que se tucanos e petistas esperarem pelo impacto da televisão, podem ficar pelo caminho, especialmente se candidaturas de outsiders se consolidarem até lá. O que temos visto é um crescimento orgânico de candidaturas que, apesar do pouco espaço de propaganda, podem desbancar grandes estruturas partidárias.

Em 1989 foi eleito um presidente por um partido nanico. O PRN foi criado justamente para participar daquela eleição. O mesmo ocorreu três décadas antes, com a chegada ao Planalto de um vencedor pelo minúsculo PTN. Depois de mais de um ciclo de 30 anos, como já lembramos neste espaço, nada impede que a história se repita.

Este novo jogo eleitoral conta com muitas novas variáveis e não pode ser facilmente comparado com os últimos ciclos. Estamos diante de um quadro que foge aos padrões já conhecidos, e quem entrar nesta partida achando que nada mudou, tende a ficar pelo caminho.

 

 

Por Márcio Coimbra

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