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Opinião – Meirelles, o candidato

”Esta preferência antiga de Meirelles pela aplicação de suas riquezas no exterior não sedimentará sua proposta de governo, porque a confiança, não se encontra nas malas do candidato ao Planalto”

Mais lustroso e mais gordo (gerenciar a economia só rende dor de cabeça e magreza), o ex-deputado, ex-presidente do Banco Central e ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles, conseguiu vencer a primeira etapa para realizar seu sonho de chegar a presidência, justificando sua ambição de retribuir ao país o que dele havia ganho, como disse na convenção.

De fato, Meirelles foi agraciado mais do que, na verdade, teria seu trabalho rendido a nós brasileiros. O gerenciamento que o projetou não foi o bastante para evitar ou reduzir o grande caos de nossa economia, que nos mergulhou em extensa e profunda crise que ainda amargamos. Atribuir aos chefes do Executivo Federal a quem serviu razões de sucesso ou de fracasso não são aceitáveis, pois que o calcanhar de Aquiles do controle orçamentário por parte do Banco Central, traduzido em sua pretendida autonomia, que a rede de economistas liberais sempre pregou como decisiva para o melhor gerenciamento dos meios financeiros e cambiais, cumulou Meirelles de superpoderes, e, se excessos ou desvios houve, pela imposição da autoridade presidencial, o responsável foi o ministro que transigiu com decisões políticas em hora não permitidas. Meirelles não é político, é leniente.

Por isto, não há vitórias (salvo as pessoais) a colher na longa via percorrida por Meirelles na carreira oficial, que agora avulta, com a chancela do MDB, do presidente Temer e de tantos outros que o incensam como salvador. Não o é. Meirelles sempre esteve junto aos banqueiros nacionais e internacionais, e estes o tem como aliado confiável. Esta certeza não pode ser uma qualidade para a plataforma à presidência, por todos os motivos. O candidato é homem de fortuna, e mantém, ou manteve, valores maiúsculos no exterior, e, com esta nova aspiração, jamais podia manter suas altas reservas no exterior. Ora, o Brasil não é campo seguro para seus investimentos ou para a custódia de seus haveres ? Como então aconselhar investidores estrangeiros ou mesmo os brasileiros a lançar âncoras no ambiente brasileiro de negócios se ele não seguiu o conselho que agora distribui aos brasileiros, com tanta ênfase, de fazer o que não fez ?

A candidatura já claudica em seu início. Esta preferência antiga de Meirelles pela aplicação de suas riquezas no exterior não sedimentará sua proposta de governo, porque a confiança, este tesouro que poucos possuem, não se encontra nas malas do candidato ao Planalto.

No entanto, o candidato quer fazer crer ao eleitorado que ele é o consertador geral, o lanterneiro competente, o homem que confiadamente pode retirar o Brasil do torpor em que se encontra o empreendedorismo. Quer comparar-se a Necker, o genial franco-suíço do pós-iluminismo que socorria o Estado francês quando nas dificuldades e entraves fazendários em que se via aquela poderosa nação de hoje. Era o próprio povo que convidava e gritava, em multidões, o nome de Necker. Chamem o Necker, chamem o Necker, e a realeza atendia às ruas e o fazia retornar às suas funções para agir com mão de ferro.

Necker debelava as crises e depois ia para casa.

 

 

Por José Maria Couto Moreira é advogado

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