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Opinião – Mãe de verdade!

”Não competia para tomar o lugar do meu pai, mas para somar com ele e triunfar com o sucesso dos filhos”

Mãe de verdade era Dona Emília, que teve oito filhos e criou José Lucena, o primogênito do meu pai, que veio para ela com 5 anos de idade, quando o velho Miguel ficou viúvo, ainda novo.

Meu pai era oito anos mais velho que minha mãe. Bonito e cheiroso, nascido nas Alagoas e criado em Pernambuco, aportou em Princesa, Paraíba, com uma máquina fotográfica e um filho pequeno. Quando viu Emília na janela de casa, apaixonou-se e pediu a mão da moça no mesmo dia.

Meu pai trabalhava muito para sustentar a família, mas também gostava de reunir os amigos em casa e no bar de Arlindo para festejar a vida. As farras, às vezes, varavam as noites. Minha mãe nunca falou mal do meu pai por causa disso.

Dona Emília cuidava dos filhos muito bem. Amamentou a todos. Eu mesmo mamei até os 4 anos. Ela nunca sonegou o leite aos seus rebentos. Além de cuidar dos filhos, ela preparava comida para os trabalhadores da roça do meu pai. Levava as terrinas na  cabeça para alimentar os heróis da agricultura, como disse o poeta.

Ela vivia cantando. Até hoje me lembro das canções de Augusto Calheiros e Orlando Silva. Minha mãe só começou a chorar quando os filhos partiram para a cidade grande. Dona Emília viu, com orgulho, os filhos formados.

Ela sempre foi a mesma na alegria e na tristeza, na saúde e na doença. Não competia para tomar o lugar do meu pai, mas para somar com ele e triunfar com o sucesso dos filhos, sua missão principal na terra.
Minha mãe, sim, foi uma mãe de verdade.

 

 

 

 

Por José Lucena

 

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