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Opinião – Maduro vai ajudar a derrotar o PT em 2018

”Quem vai sair ganhando é o Brasil. País, aliás, que o Maduro não alinhou entre os quais  ele aceitaria entabular um eventual diálogo sobre o encaminhamento da situação venezuelana.”

O Partido dos Trabalhadores está numa sinuca de bico.

Para manter coerência com o livrinho de instruções herdado do professor Marco Aurélio Garcia (responsável  pela mambembe  política externa do Brasil nos treze anos de governos do PT), o partido vê-se obrigado a apoiar com entusiasmo  o presidente Nicolás Maduro, responsável pelo acelerado processo de destruição econômica, política e social  da Venezuela.

Não se dão conta os dirigentes do partido que esse apoio acrítico a Maduro deverá ter um custo político elevado à agremiação, num momento em que  ela necessita fortalecer seu perfil, redefinindo alguns de seus princípios e objetivos,  com vistas à disputa nas eleições de outubro de 2018.

Na França, o deputado marselhês Jean-Luc Mélenchon, um dos mais ardorosos defensores europeus de Maduro, viu esse apoio ao governante venezuelano custar-lhe a possibilidade de chegar ao segundo turno nas eleições presidenciais no início deste ano. Na primeira rodada, ele que se via cheio de chance, amargou um quarto lugar, com apenas 19,2% dos votos.

Xavier Bertrand, um dos políticos críticos mais de Mélenchon, considera inadmissível sua omissão em relação ao desastre venezuelano. Em entrevista, ontem, ao Figaro, declarou que “em política, o cinismo é proibido. Não sei se ele (Mélenchon) está numa ilha deserta, isolado do mundo, mas seu silêncio ensurdecedor sobre o que se passa na Venezuela é simplesmente escandaloso!”

É o mesmo caminho que está sendo trilhado pelo PT, sob a condução de sua presidente, a senadora Gleisi Hoffmann. O apoio incondicional que está dando a Maduro vai fazê-la perder votos que lhe seriam fundamentais no ano que vem.

Mathias Alencastro, em recente artigo publicado na Folha de São Paulo, analisou a situação sobre o aspecto do apoio da opinião internacional em defesa do ex-presidente Lula. Nesse sentido, diz, “o posicionamento do PT afasta, em vez de agregar, potenciais aliados: os grandes jornais, partidos e lideranças políticas da social democracia europeia, que criticaram ou se abstiveram de apoiar o impeachment de Dilma Rousseff, são inequivocamente contra a Constituinte de Nicolás Maduro”.

Quem vai sair ganhando é o Brasil. País, aliás, que o Maduro não alinhou entre os quais  ele aceitaria entabular um eventual diálogo sobre o encaminhamento da situação venezuelana.

 

Por Pedro Luiz Rodrigues

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