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Opinião – Há ameaça para o Agronegócio?

”Não custa lembrar que a Uber está aí e que ela causou um impacto negativo importante na vida dos taxistas e de suas famílias, embora tenha beneficiado os usuários”

Ninguém questiona a pujança do setor agropecuário brasileiro. Além de garantir o suprimento de alimentos para todos nós, o valor da sua produção, cerca de R$ 515 bilhões, representa quase 9% do PIB brasileiro (MAPA). O setor contribuiu, em 2017, com 60% do crescimento da economia (IBGE). Além do mais, os produtos agropecuários brasileiros, com algumas tormentas momentâneas, estão presentes em quase todo o mundo, já que somos o terceiro maior exportador mundial de produtos agropecuários (OMC). Sem dúvida, uma importante demonstração de competência dos nossos compatriotas dedicados ao setor.

Mas, por quanto tempo mais continuaremos assim tão competitivos e nos ufanaremos desses sucessos?

A geométrica inovação tecnológica que vimos presenciando continua a surpreender-nos. E a agropecuária não escapa. A vontade dos indivíduos de produzir tudo de que precisamos com menos recursos derruba barreiras que julgávamos intransponíveis.

Que tal, por exemplo, criar um filé-mignon num laboratório em muito menos tempo e com muito menos recursos que para criar um boi e tirar dele o filé-mignon? No exterior, muitos vêm defendendo a necessidade e vêm investindo seriamente em Lab Grown Meats (carnes criadas em laboratórios). Eles falam em carne de verdade, com gosto de carne, produzida a partir de células de animais – não de produtos que imitam carne –, que seriam financeiramente competitivas em 10 anos. Eles argumentam que não haverá água suficiente para alimentar a população prevista para 2050 se continuarmos a consumir 8 kg de alimentos e 7 litros de água para produzir 1 kg de carne e que a carne de laboratório requererá 1/100 da terra e 1/5 da água necessárias para produzir a carne tradicional (Richard Morgan, CNBC, 23/3/18). A empresa Memphis Meats, de Bill Gates e Richard Branson, já produziu em laboratório carne de vaca, de frango e de pato a partir de células animais. Será que veremos conversões de vegetarianos?

E na agricultura? O uso de inteligência artificial, redes, sensores, robótica e drones, assim como a tendência de aproximar a produção do cliente, vai revolucionar a agricultura. À parte diversas experiências com fazendas verticais em cidades mundo afora, a empresa Square Roots, no Brooklyn, New York, por exemplo, produz experimentalmente 20 kg de vegetais por semana em cada um de seus 10 contêineres de 6m por 2m, o equivalente à produção de uma área de 8 mil m2. A experiência com verduras certamente será estendida a cereais e frutas com a possibilidade tecnológica de controlar a qualidade, o ciclo de produção, a exposição à luz e os níveis de pH e de temperatura, o que pode significar ganhos de 200 a 400% sobre os atuais (Peter Diamandis, 13/5/18).

Não custa lembrar que a Uber está aí e que ela causou um impacto negativo importante na vida dos taxistas e de suas famílias, embora tenha beneficiado os usuários. Pegou de surpresa o mundo inteiro.

Não precisamos mais ser surpreendidos. Claro que há muitas outras variáveis a considerar, uma das quais a aceitação do tipo de produto. Mas, não custa perguntar: o que os políticos brasileiros estão fazendo para dar condições a todos que vivem do agronegócio brasileiro enfrentar com sucesso esse perigo tecnológico?

 

 

 

Por Sergio Moura – autor do livro Podemos ser prósperos – se os políticos deixarem.

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