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Opinião – Como foi a conversa secreta do eleito com o incumbente

”Os vices são pessoas muito leais; Não existe chance de conspiração; Tudo isso aí é Fake News. Talquei?” Essa conversa não é baseada em fatos reais, diz Mario Rosa

A CONVERSA SECRETA DO ELEITO COM O INCUMBENTE

Não aconteceu. É pura fake news! Mas…o alerta pode ser apenas para esconder uma revelação da maior gravidade. Pode ser um sofisticado disfarce, um complô diabólico para você acreditar que não existiu tudo o que vem a seguir: pode ser uma detestável e hedionda campanha de desinformação.

Ler uma simples coluna do noticiário, hoje, virou um livro de John Le Carré: o clima é de espionagem do início ao fim, tudo pode ser ou não ser, há pistas falsas e verdadeiras. O leitor tem que decifrar cada fragmento. Mas eu garanto: é pura ficção. Qualquer semelhança com pessoas ou fatos reais é mera coincidência.

Dito isso, o espião que saiu do frio aqui vai iniciar seu diálogo imaginário entre o incumbente que sai e o eleito que vai assumir. Foi depois de tratarem das questões administrativas todas, de todos os salamaleques, quando ninguém mais estava na sala, quando um certo clima de camaradagem já estava estabelecido. Afinal, somente os dois sabiam o tamanho do peso nos ombros daquela hercúlea responsabilidade:

– Olha, quero te agradecer pela forma bacana como você tá fazendo essa transição, talquei?
– Não poder-se-ia fazer de outra forma…
– Mas de onde eu venho a gente respeita muito os ritos e os regimentos. E você foi muito correto.
– Muito obrigado, muito obrigado. Isso não me envaidece, pois jamais tive esse vinco da frivolidade, mas me enalteço com a sensação de dever cumprido.
– Agora que encerramos a agenda, se me permite, posso lhe fazer uma pergunta muito, muito pessoal? Veja bem, é algo que pediria que mantivesse inteiramente entre nós…
– Claro! Sinta-se à vontade. É sobre os palácios?
– Não! É algo…como dizer…algo mais pessoal…
– Pois não.
– Bem, na sua opinião, como funciona essa dinâmica da relação com o vice?
– Como assim?
– Bom, digamos que você tenha um vice que tenha uma bagagem muito maior do que a sua exatamente na área que será crucial para a sua sobrevivência política? Você acha que em algum momento ele poderá aproveitar um momento de fraqueza seu e dar um bote?
– Sinceramente?
– Sim, por favor. Isso é muito importante para mim.
– Sinceramente eu duvido. Os vices são muito leais.
– Mas mesmo que ele tenha uma capacidade de articulação enorme?
– Mesmo assim. Fique tranquilo.
– Mesmo que eu crie arestas com o Congresso todo e ele cada vez mais vá se tornando uma alternativa de moderação, de conciliação, de apaziguamento?
– Mesmo assim. Acredite em mim: um vice jamais irá conspirar nem será incitado o tempo todo a tomar o seu lugar, sobretudo se a sua situação se tornar cada vez pior.
– Poxa, que alivio! Você não sabe o peso que tirou dos meus ombros…
– Eu fico muito feliz. Estou torcendo muito por você!

Pausa para a realidade: na quarta-feira, o filho do presidente eleito postou o seguinte conteúdo do Twitter:

Você está com dificuldade de distinguir os diálogos imaginários das declarações reais? Você não é o único. Estamos todos.

 

 

 

 

Por Mario Rosa, 54 anos, é 1 dos mais renomados consultores de crise do Brasil. Pede que em sua biografia seja incluído o fato de ter sido jurado de miss Brasil e ter beijado o manto verde-rosa da Estação Primeira de Mangueira. Foi o autor do prefácio do primeiro plano de gerenciamento de crises do Exército Brasileiro. Atuou como jornalista e consultor.

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