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Opinião – Centrismo frouxo

”Na ânsia de enfrentar alguma destas duas forças no segundo turno, surge um centrismo frouxo, monótono, amorfo, inodoro, incolor, insosso, sem aderência na sociedade”

Virou lugar comum nesta corrida presidencial a busca pelo centro. Certos de que este caminho pode levar ao Palácio do Planalto, os postulantes ao cargo de presidente recorrentemente falam que desejam ocupar este espaço. Os analistas e repórteres políticos fazem eco, na tentativa de tornar esta tese uma verdade incontestável.

Como dizia Garrincha, falta combinar com os russos, neste caso, o eleitor. A vontade de parcela da mídia em encontrar um centrista tornou-se mais um desejo do que uma análise calcada na realidade. É o que chamamos na política de wishful thinking. Certos de que o caminho do meio seria uma virtude também no tabuleiro eleitoral, incentivam o surgimento de um outsider com estas características ou estimulam nomes que já se apresentaram como candidatos a adotar esta roupagem.

Fato é que este centrismo é um caminho perigoso dentro da política, pois gera no eleitor a sensação de vazio e falta de convicção do candidato. Em uma eleição como esta que se aproxima, nada afasta mais o eleitor do que aquele candidato morno, sem paixão ou bandeiras, que se acomoda na roupagem covarde, porém confortável, que visa agradar a todos, mas na realidade não agrada ninguém.

Isto explica porque muitos candidatos deste corte continuam patinando nas pesquisas. Chegariam ao Palácio do Planalto somente impulsionados por uma fatalidade, o fator imponderável da política, mas em condições normais de temperatura e pressão, não emplacam nem sequer no segundo turno. Enquanto isso, aqueles que se apresentaram até aqui com uma mensagem clara, destacam-se no cenário eleitoral.

Isto explica a falta de força dos partidos tradicionais. Os tucanos, novamente envergonhados em defender o legado das reformas de Fernando Henrique Cardoso, seguem pelo caminho habitual. Enquanto isso, um MDB rachado hesita em defender as bandeiras levantadas por Michel Temer. Já o Democratas, outrora centro-direita, hoje redefiniu-se como um partido de centro. Somados, os três grandes partidos do passado não batem em 10% das intenções de voto.

Enquanto isso, Bolsonaro e Lula surgem liderando as pesquisas. O petismo, mesmo sem seu principal líder, estará presente e com o impulso dos militantes, com chances reais de chegar ao segundo turno. Enquanto isso, o conservadorismo liderado por Bolsonaro, que muitos jornalistas afirmam ter atingido seu teto, mostra que parte na verdade de um piso consolidado e confiável para crescer.

Na ânsia de enfrentar alguma destas duas forças no segundo turno, surge um centrismo frouxo, monótono, amorfo, inodoro, incolor, insosso, sem aderência na sociedade. A busca pelo outsider visa preencher esta lacuna aberta pela falta e desgaste de lideranças tradicionais. Entretanto, a vitória de um candidato que inspire liderança, confiança e motivação parece cada vez mais real. Nesta configuração a busca por esta forma de centrismo pode acabar por sepultar a carreira política daqueles que fizeram a opção preferencial pela covardia e a passividade.

 

 

Por Márcio Coimbra

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