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Opinião – Aos que escaparam ao flagrante

”Surgem novas amizades, cada vez mais interessantes, como representantes do Diabo a tentar o Cristo (…) oferecendo-lhe o mundo de riquezas e prazeres mundanos”

Na vida pública, sempre que alguém cai em desgraça, outros respiram aliviados achando que Deus os protegeu de alguma forma. O susto, porém, é passageiro, se as provas não os alcançam, e os mesmos que foram salvos pelo gongo se recompõem para retomar a ciranda de coisas erradas.
Geralmente, quem está à frente de algum esquema poderoso acaba cercado de oportunistas que arrancam os pedaços das vantagens, beliscam aqui e ali, mas se escondem e desaparecem ao primeiro sinal de perigo.
Tanta bajulação leva o poderoso a baixar a guarda, a se sentir inatingível, crendo-se protegido pelos vendedores de facilidades, os que têm solução para tudo enquanto durar o estoque de favores.
O poderoso não gosta de quem fala a verdade. Alertá-lo sobre determinado caminho tortuoso soa como ofensa. Ele só quer ouvir o que sua conveniência aceita. Porque carregamos a herança das cortes, do beija-mão, os bajuladores sempre se dão bem.
Algumas pessoas não sabem ascender ao poder. Quando isso ocorre, velhos amigos e conselheiros são tratados como elementos de um passado que se quer esquecer. Surgem novas amizades, cada vez mais interessantes, como representantes do Diabo a tentar o Cristo no alto da montanha, oferecendo-lhe o mundo de riquezas e prazeres mundanos.
Há coisas que são passageiras, como as tentações do poder e as alianças interesseiras. Perene é a honra de quem não se rende.

 

 

 

 

Por Miguel Lucena é Delegado de Polícia Civil do DF, jornalista e escritor.

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