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Opinião – Agora ficou parecido com 1989

”Mas a corrida está verde ainda. Como evoluirá a saúde de Bolsonaro? Haddad conseguirá votos lulistas suficientes para enfraquecer Ciro decisivamente? Marina parará de cair?”

Dizia-se que a presidencial de 2018 repetiria 1989, pelo alto número de candidatos com alguma musculatura. Está acontecendo, por enquanto. Mas a semelhança, pelo menos neste momento, vai além. Como então, um outsider de direita lidera e PT e PDT disputam o 2º lugar, que dá uma vaga na final, se houver 2º turno.

Três décadas atrás eram Collor, Lula e Brizola. Hoje são Bolsonaro, Haddad e Ciro. Claro que tem uma diferença. Alckmin é hoje mais competitivo do que eram então Ulysses, Covas, Aureliano e Afif. Sem esquecer de Maluf. Mas agora, como naquela época, o dito “centro” desperta dúvidas sobre sua capacidade de quebrar a polarização.

Em comum aos dois momentos, um certo cansaço com o establishment político. Naquele tempo, decorrente principalmente da decepção com os resultados econômicos da Nova República, que sucedera os governos militares. Hoje, nascido da revolta diante da retração econômica, revolta multiplicada pelos escândalos.

Interessante que agora, como ali, a “renovação” vem pela mão de políticos experientes. Collor era de família tradicional na política e tinha transitado pelo Legislativo e Executivo. Brizola, nem falar. Lula já disputara o governo paulista e fora constituinte. A política não estava desprestigiada. Desgastada mesmo, só a aliança que elegera Tancredo.

Bolsonaro é um veterano do Congresso, Ciro já foi de tudo, inclusive disputou duas vezes o Planalto. E Haddad é Lula. E Alckmin, que tinha sido prefeito, deputado, tem sala no Palácio dos Bandeirantes faz um quarto de século, praticamente sem interrupção. Aliás Alckmin parece ser um Covas desta eleição. Pelas qualidades e pelos problemas.

Covas tentou de tudo para quebrar a lógica Collor x “Brizula”. Seu momento mais criativo foi quanto lançou a ideia do “choque de capitalismo” necessário no Brasil. O establishment entusiasmou-se, mas o povão nunca pensou seriamente em desembarcar do navio comandado pelo “caçador de marajás” que vinha das Alagoas.

Parece ser um pouco o problema de Alckmin. Seu posicionamento encaixa-se bem numa equação racional, ele tem tudo para atrair um público que demanda estabilidade, pacificação e equilíbrio, mas até o momento vem sentindo dificuldade de arrastar votos para essa lógica. O que dificulta a agregação da elite em torno de seu nome.

Mas a corrida está verde ainda. Como evoluirá a saúde de Bolsonaro? Haddad conseguirá votos lulistas suficientes para enfraquecer Ciro decisivamente? Marina parará de cair? Alckmin conseguirá uns pontos adicionais para entusiasmar seu campo e ganhar massa crítica? Amoêdo, Álvaro e Meirelles resistirão ao voto útil?

Aguardam-se os próximos capítulos.

 

 

Por Alon Feuerwerker, 62 anos, é jornalista e analista político e de comunicação na FSB Comunicação. Militou no movimento estudantil contra a ditadura militar nos anos 1970 e 1980. Já assessorou políticos do PT, PSDB, PC do B e PSB, entre outros. De 2006 a 2011 fez o Blog do Alon.

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