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Opinião – A posse do povo

”Estou convicto de que o governo que aí vem bem sabe interpretar a vontade dos mais de 57 milhões de brasileiros que o colocou no Planalto”

O próximo dia primeiro de janeiro marcará o término de 34 anos de tentativas de destruição da República no Brasil. Neste período o País evoluiu a fórceps, andou a reboque do crescimento mundial, porém, como Nação justa e igualitária, experimentou um período de declínio e de involução sociocultural como jamais visto em toda sua história contemporânea e, o que é mais perverso, tudo dissimulado da forma mais sórdida, envolta em uma aura social-comunista, aliada a um negocismo mau e usurpador.

A vida em família foi sendo corroída e conspurcada insidiosamente, chegando a ponto de sofrer um fantástico ataque ideológico visando, diariamente, a desconstrui-la em sua forma e em sua essência, sempre escondido dentro de um perigoso pacote humanístico que ocultava a bomba da destruição do Estado democrático. À guisa de se elevar o índice de qualidade de vida das classes mais desfavorecidas, destas foi retirada a chance de se manter e de manter os seus com um mínimo de dignidade e até mesma a oportunidade de aprender, de pensar e de fazer valer suas ideias. Em nome de uma estrutura estatal que deveria estar voltada exclusivamente para servir o povo que a sustenta, uma onerosíssima máquina pública com suas incompetentes repartições e com suas odiosas corporações escravizou seus verdadeiros proprietários e, de dentro dos respectivos castelos governamentais, se deu ao luxo sempre de engordar suas remunerações, agravando insensivelmente a indigência dos pequeninos. Mas não foi somente isto, antes fosse.

O poder pelo poder, a ganância sem medida, a soberba e a pretensão desmesurada dos poderosos ou dos idiotas que (ilegitimamente) alçaram um cargo de mando qualquer, por mais insignificante que fosse, destruíram as instituições no executivo, no legislativo e no judiciário que, a exemplo da Suprema Corte do País e de outros Órgãos da Justiça, agora são alvo da desconfiança, da decepção e do deboche por parte da sociedade.

Naquele território assim hostil e perigoso tem-se que, desde 1988, foi cuidadosamente tramada e urdida uma Carta Política escrita para proteger o ladrão da coisa pública; para dar abrigo a uma ideologia espúria e contrária à índole e a natureza deste povo; para amparar o criminoso sanguinário; para privilegiar as exceções e as minorias em detrimento da Pátria, da família e da cultura judaico-cristã. Naquela terra inóspita para o homem comum, sentaram suas bases os donos das bancas, os chupins do suor do trabalhador com seus respectivos proxenetas dos companheiros de trabalho, todos incensados pelos Barões da Comunicação com suas corjas de deformadores de opinião. Desta maneira há três décadas que aquelas pessoas do mal sangram e maltratam esta Pátria Verde e Amarela.

Bem sei que aqueles que se beneficiaram com esse estado de coisas vão contestar tudo isso a partir das teorias e das baboseiras de sempre, vão desfiar um rosário de argumentos para demonstrar que tudo foi realizado em prol do povão e que este sim vem de ser mal agradecido no mínimo quando não se ajoelha diante de uma tardia decisão de um Mandarim da República; quando não reconhece como dádivas supremas as migalhas que a classe política abominável lhes atira ou mesmo quando ousa desconfiar das recomendações das “bestas do politicamente correto”.

Não quero e não vou cansar o meu caro Leitor contra-argumentando em relação àqueles inconsequentes. Quero apenas culpá-los. Quero responsabilizá-los. Quero puni-los pela miséria na qual foram jogadas as 25 milhões de famílias de desempregados; quero que paguem por aqueles que morreram nas filas dos SUS ou dos hospitais saqueados; quero que sejam apenados todos quantos, direta ou indiretamente, deixaram a população entregue à sanha dos horrores do tráfico e do crime organizado; quero que indenizem aqueles que não receberam a prestação jurisdicional requerida por causa de um Judiciário caríssimo, ineficiente, lento e venal; quero que os caciques e os coronéis exploradores das populações miseráveis em todo o País sejam expropriados até o limite da pobreza em que sempre mantiveram seus explorados; quero que os malditos doutrinadores de esquerda delinquente que deformaram quatro gerações de jovens no Brasil sejam condenados a reparar o mal que fizeram, confessando seus crimes contra a família e contra a Pátria, postando-se diante da sociedade com as mãos para trás e de cabeça baixa.

Pela primeira vez devemos efetivamente tomar posse do Brasil, juntamente com o Presidente eleito. Precisamos dar sequência à obra que iniciamos com a Revolução Democrática de outubro de 2018. O que fizemos até aqui foi extremamente importante, mas que ninguém descanse ou ensarilhe as armas porque a luta mesmo apenas começou.

A operação Lava Jato tem que se multiplicar por dez e os Tribunais hão de ser obrigados a julgar e a prender os corruptos em poucos meses, punindo-se ou afastando-se os servidores que resistam à nova ordem. A máquina pública tem que ser desaparelhada, esvaziada, e sua absurda conta salário e seu código de vantagens, reduzidos no peito e na raça, de forma que não afronte e não mais humilhe o pai de família que é obrigado a viver com 900 reais por mês. Sob pena de serem aplicadas severas sanções, o serviço público há que servir este povo pobre e carente que o custeia de longa data, dando-lhe saúde, segurança e educação, pelo que se exigirá que opere sob rígido controle de horário de trabalho (entrada e saída), quer seja um Príncipe ou um Nababo de Brasília quer seja o mais humilde servidor lotado na repartição do Município mais longínquo do País. A banca há que servir à economia do Brasil e não dela se locupletar e a classe produtiva deve ser libertada da exploração do Estado para produzir e gerar riquezas, porém se e quando não o fizer há que ser fechada compulsoriamente.

Os vermelhos já falaram demais, assim que agora ouçam um pouco. Não há nada de antidemocrático nisto, muito pelo contrário tudo isso que ainda aí se encontra é que precisa ser urgentemente mudado, pois é tudo que afronta sim a verdadeira democracia. Nem venham os “babilacas” da impostura falar que o ordenamento jurídico impede que se alcancem tais metas e propósitos, da forma que aqui preconizo. O Brasil já tem muitas boas leis e são suficientes, basta que se cumpra a lei. Todavia se algo houver que deva ser alterado para a consecução daqueles objetivos que se faça o necessário ajuste – constitucional ou infraconstitucional – e o povo tem o direito de exigir e impor ao Legislativo que cumpra seu papel, a mando direto de quem o poder emana realmente.

Bem que poderíamos ter dado ao establishement uma palinha desta nova ordem por ocasião do episódio recente em que um “Mandarim Solta Bandidos” ousou, monocraticamente, libertar o “Ogro Encarcerado”, visando a mostrar serviço para seus verdadeiros patrões. Poderíamos ter arregimentado, pelas Redes Sociais, talvez uns dois ou três milhões de cidadãos e pacificamente nos colocarmos diante do Congresso Nacional exigindo que, em regime de urgência, votassem o impeachment do Ministro que tentou trair a vontade do povo. Outras 500 mil pessoas se postariam diante da casa do Mandarim exigindo que depois de defenestrado fosse cantar em outra freguesia. Isto lavaria a alma de muita gente e deixaria e esquerdalha de barbas de molho.

O povão vai à posse de seu novo líder e todo resto dos homens honrados estará com ele torcendo pelo Brasil. Porém este mesmo povo precisa estar consciente da oportunidade fantástica que a Revolução de 2018 trouxe para esta Terra de Santa Cruz. Tudo quanto quisermos e que represente a vontade da maioria e que, por sua vez, não afronte os valores e princípios da Nação Brasileira, quando não for atendido, é nas ruas com alguns milhões de cidadãos que exigiremos, doa a quem doer.

Estou convicto de que o governo que aí vem bem sabe interpretar a vontade dos mais de 57 milhões de brasileiros que o colocou no Planalto e que tem coragem e disposição para fazê-lo. O Brasil, entretanto não mudará se também seu povo não mudar em relação ao que esta Nação precisa e espera de todos nós.

 

 

 

 

 

Por Jose Mauricio de Barcellos ex Consultor Jurídico da CPRM-MME é advogado. Email: bppconsultores@uol.com.br.

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