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Opinião – A Política dos Caipiras e Caiporas

”…Setenta e cinco por cento acreditam em melhores dias com Jair Bolsonaro. Vamos ver então como ele vai jogar neste campo minado. Tem que ser craque para cruzar a área adversária”

O Presidente suspeito dos Estados Unidos da América, Donald Trump, sob a batuta do maestro Steve Bannon, e com o lamaçal de dinheiro das máfias do petróleo e do gás, e de outras máfias mais perigosas, conseguiu arrebanhar um enorme eleitorado de caipiras ignorantes e racistas para chegar ao Poder na Casa Branca. Como se não bastasse teria contado ainda com a máfia da política e do sexo comandada pelo Czar da Rússia, doutor em espionagem e contra espionagem.

Como sempre, nas florestas e nas matas abaixo da linha do equador, caiporas do sul desandaram a querer imitar os ricos caipiras do norte. Com roupa feita nos mesmos cortes e nos mesmos moldes. Mas por aqui, em terras brasileiras, o buraco é mais embaixo porquê de tanto roubo e de tanta corrupção e enganação já vividas desde o tempo da arribação das naus catarinetas lusitanas, a população já está vacinada contra a manipulação grosseira a que foi historicamente submetida.

Esta eleição presidencial de Jair Bolsonaro só foi possível porquê além da massa caipora que acredita em machos alfas e anjos voadores, parte substantiva da classe média brasileira esclarecida, a mesma que se aliou ao PT em 2002, para eleger Lula, principalmente pelas promessas de varrer do mapa do Brasil a corrupção e suas máfias políticas e empresariais, foi quem garantiu sua eleição, pelos mesmos motivos.

Desta vez o eleitorado, este que decidiu em 2002 e decidiu em 2018, tinha um olho no candidato e o outro nas Forças Armadas. Isto porquê esta passou a ser, mais uma vez, um recurso político de última instância, com a lamentável e recente perda de confiança no Judiciário, que passou a pôr na rua bandidos de alta periculosidade, particularmente no Congo brasileiro, o Rio de Janeiro. Mas, até agora, pelos movimentos deste período de transição entre a eleição, em outubro de 2018 e a posse do novo governo, em janeiro de 2019, cresce novamente, aos poucos, uma sensação de estranheza e de formigamento, próprio de um eleitorado já vacinado. Por um lado há uma confiança explícita nos militares de alta patente escolhidos para administrar e cuidar dos setores estratégicos chave da nossa infraestrutura arrasada pela corrupção. Inclusive a nuclear.

Há, também, um pé atrás com o Senhor Paulo Guedes : Ainda não se sabe muito bem para quem vai trabalhar. Alguns acreditam que ele teria subestimado a capacidade política do Presidente eleito, e talvez imaginado que conseguiria administrar o bolo do orçamento e todos os grandes negócios financeiros e empresariais. Há dois pés atrás com a influência familiar na órbita da Presidência da República. O novo ministro das relações exteriores, um peripatético intelectual “Bannonista”, teria sido colocado na condução mundial do Brasil por eflúvios ideológicos dos organizadores e patrocinadores do Fórum de Foz do Iguaçu, um conclave tupi-guarani da ultra direita caipora. Há três pés atrás com o coquetel de goiaba, abacaxi e bananas feito com temas de extrema importância para a sobrevivência do país, como o equilíbrio entre política indigenista, meio ambiente e interesses vorazes em cima da Amazônia. Especialmente na corrompedora e bilionária área de mineração.

O país está esperançoso: setenta e cinco por cento acreditam em melhores dias com Jair Bolsonaro. Vamos ver então como ele vai jogar neste campo minado. Tem que ser craque para cruzar a área adversária.

 

 

 

 

 

Por Miguel Gustavo de Paiva Torres é diplomata.

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