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Intervenção da Prefeitura na CAB-Cuiabá desmantela esquema milionário

Auditores municipais através de uma intervenção da Prefeitura na CAB Cuiabá, desmantelaram um esquema milionário onde os dois principais diretores receberam altíssimos pro-labores.

Os dois principais diretores da CAB Cuiabá, concessionária de água e esgoto sob intervenção da prefeitura da Capital, receberam, juntos, mais de R$ 1 milhão no último mês de março.

O diretor regional da CAB, Antônio Carlos Dallalana, recebeu R$ 764,1 mil entre pro labore, prêmios e adicionais, em uma época em que a empresa estava em vias de ser leiloada e que o Grupo Queiróz Galvão, dono da CAB Ambiental, já estava em recuperação judicial.

O holerite de Dallalana, bem como o do diretor administrativo-financeiro da CAB Cuiabá, Luís Afonso Migliani Bazzo, fazem parte da auditoria promovida pela Prefeitura de Cuiabá na empresa e que culminou na intervenção da concessionária de água e esgoto da capital.

A reportagem teve acesso aos holerites. Em março, Migliani recebeu R$ 283,2 mil entre pro labore, prêmios e adicionais.

Ao anunciar a intervenção por 180 na empresa, no último dia 2, o prefeito Mauro Mendes (PSB) disse que a auditoria havia identificado “gastos abusivos” na empresa – e os altos salários seriam um deles.

Antônio Carlos Dallalana: Diretor regional da CAB foi suspenso de suas funções com a intervenção decretada pelo prefeito Mauro Mendes

É comum, na iniciativa privada, diretores do alto escalão de grandes empresas receberem altos salários. Não há lei que fixe um teto para os ganhos, como acontece no serviço público.

Dallalana, que entrou na CAB em 1º de março de 2013, tinha, até a intervenção, um salário de R$ 69,7 mil. Migliani, por sua vez, ganhava R$ 30,7 mil.

O que causou estranheza nos auditores, porém, foram os pro labores adicionais, de ambos. Dallalana recebeu R$ 694,4 mil em março; Migliani, R$ 252,4 mil.

Segundo a Procuradoria Geral do Município de Cuiabá, a auditoria feita por uma comissão especial apontou 11 inconformidades ou indícios de irregularidades cometidas pela concessionária.

No decreto em que determinou a intervenção, Mauro Mendes determinou o afastamento dos diretores da CAB – e a suspensão de seus contratos de trabalho –, mas manteve os empregos dos demais 700 funcionários.

Como interventor foi nomeado o então secretário municipal de Obras Públicas, Marcelo de Oliveira. Ele terá que apresentar em 30 dias um plano emergencial com ações e investimentos.

OUTRO LADO – Procurada, a assessoria de imprensa da CAB afirmou que a empresa iria se posicionar sobre os pagamentos aos diretores, mas não o fez até o fechamento desta edição.

Uma semana antes de sofrer intervenção, o próprio diretor Carlos Dallalana anunciou que a CAB Cuiabá investiria R$ 58 milhões em obras de saneamento básico. Disse também que a empresa já havia investido mais de R$ 500 milhões desde o início da concessão, em fevereiro de 2012.

Com a intervenção, a CAB Cuiabá anunciou que os novos investimentos estariam automaticamente cancelados. A empresa afirma que a intervenção feita pela Prefeitura de Cuiabá é “absolutamente política”.

 

Da Redação com informações de Orlando Morais Jr. no Diário de Cuiabá

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